Homens adoram mulheres perfeitamente organizadas



No finalzinho de 2017, o livro que eu estava escrevendo,Homens adoram mulheres perfeitas, ganhou um edital de publicação da Secretaria Municipal de Cultura. Então achei que era o momento de sair do armário. Depois de escrever quatro livros de poemas, um de contos e uma novela (desse total, publiquei apenas dois), eu me convenci de que, para este novo trabalho, eu precisaria de uma estratégia diferente. Não importa se em nosso país a ideia de ser um escritor profissional parece uma piada ou um devaneio provocado por desajustes químicos ("vai tomar um remedinho que passa"). Desta vez, decidi que iria me dedicar abertamente a este livro.

Sim, existem os filhos, a casa, o marido, os cachorros, os amigos, os freelas, o pós-doc, as aulas... mas, o livro não seria hierarquicamente colocado em último lugar dessa fila. Ou seja, eu evitaria escrever com culpa, entre um parágrafo de artigo e outro, ou acordar no meio da madrugada para resolver um conto só porque um surto de inspiração não me abandonava. Então, por meses, testei a possibilidade de trabalhar com metas semanais: fiz um cálculo de quantos caracteres eu precisaria redigir por dia, já considerando aquelas semanas em que eu certamente não poderia escrever. O prazo regular de publicação do livro, previsto em contrato, era de dez meses a partir de janeiro de 2018. Se houvesse necessidade de prorrogação, acrescentaria-se a esse tempo mais três meses. Ou seja, não havia tempo sobrando, o que tornava importante um plano de administração do tempo.


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